Um dia, ela acordou cedo e olhou para aquele homem e pensou "Que escolha foi essa que eu fiz? Não admiro esse homem em nada!"
Ele continuou dormindo. Ela virou para o lado e fingiu dormir, porque ele acordaria em breve.
Quando ele saiu da cama, ela sentiu vergonha. Como ela era capaz de julgar tão mal o homem que dizia que amava-lhe com tanta verdade?
Ela procurou as evidências. Dentro de tudo nela. Olhou e revirou tudo. "Tudo? Mas é tão pouco!"
Daquele dia em diante, tentou a todo custo, amar aquele homem!
Mas ele era morno e ela tão intensa!
A culpa era dela! Se ela não fosse tão intensa, ele lhe bastaria, assim como bastaria para muitas outras mulheres! "Mas eu não sou as muitas outras mulheres, ora!" Mesmo para si mesma, para tudo ela encontrava uma resposta...
Decidiu se separar! Tinha muito a perder, mas não poderia se perder de si mesma novamente.
Foi morar de favor num quarto de uma amiga! De vez em quando, ela reorganiza o quarto pequeno, como quem se ajeita dentro do colo mais seguro.
Ela é feliz! Não sente culpa nem arrependimento pela decisão que tomou.
Tem gestado uma versão nova de si mesma dia após dia com a intensidade que lhe é própria!
Talvez alguém possa lidar com essa intensidade que ela vai acolhendo dia após dia (inclusive nas sessões de psicoterapia)...Talvez!
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